Médica que encomendou a morte da ex-mulher do marido, e mandou colocar pênis de borracha na cena do crime, vai a júri popular
A 3ª Vara Criminal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, pronunciou a médica Cláudia Soares Alves e o vizinho dela pelo homicídio de uma farmacêutica naquela mesma comarca em 2020. A médica foi apontada como mandante do crime por um “ciúme doentio que sentia da vítima, a qual era ex-mulher do marido dela”. Com a decisão, a médica e o vizinho, apontado como o executor do crime, vão a júri popular.
Na época dos fatos, após mandar seu vizinho praticar o crime, Cláudia teria mandado o executor deixar um pênis de borracha e uma carta escrita à mão ao lado do corpo com o objetivo de denegrir a imagem da vítima e desviar o foco das investigações. A Farmacêutica foi executada no seu local de trabalho.
O motivo do crime seria o fato de a médica namorar o ex-marido da vítima e desejar ter a guarda da filha da mulher. A médica ficou conhecida nacionalmente ao raptar um bebê de uma maternidade em Uberlândia MG.
De acordo com a Polícia Civil, a motivação do crime seria passional. A médica mantinha um relacionamento com o ex-marido da farmacêutica, com quem se casou após a separação do casal. O casamento durou apenas dois meses. Segundo o ex-companheiro, ele decidiu se separar ao perceber comportamentos desequilibrados e sinais de transtorno de personalidade na médica, além de um desejo dela de assumir a maternidade da filha que ele tinha com a farmacêutica.
A vítima, temendo pela segurança da filha, teria proibido o contato da criança com o pai quando ele estivesse acompanhado da médica. Para os investigadores, o crime foi planejado pela mulher após o fim do relacionamento, com o objetivo de retomar o casamento e assumir o papel de mãe da criança. Em novembro do ano passado, a médica e o vizinho foram presos em Itumbiara (GO).
Há um mês, o juiz Dimas Borges de Paula pronunciou Cláudia Soares Alves por homicídio qualificado cometido por motivo torpe. Já o vizinho dela vai a júri por homicídio duplamente qualificado, com recurso que impossibilitou defesa da vítima e por promessa de recompensa. O magistrado entendeu que existem indícios suficientes para levar o caso ao julgamento da sociedade.
A defesa da médica e do vizinho dela recorreram da decisão, que aguarda julgamento na segunda instância. Inicialmente, a 3ª Vara Criminal de Uberlândia negou, no último dia 18, os pedidos dos advogados. Ainda não há data do julgamento.
Cantoria na prisão
Durante a prisão da médica em novembro, os policiais encontraram um quarto preparado para bebê, com berço, enxoval e uma boneca do tipo “bebê reborn”. Ao ser presa, ela ainda cantou a música “Take on Me” de “a-ha” enquanto aguardava para prestar depoimento.
Cláudia Soares ficou conhecida após raptar uma bebê recém-nascida no Hospital das Clínicas de Uberlândia. O episódio do rapto é tratado em procedimento distinto, mas integra o contexto analisado pela Justiça na avaliação da conduta da acusada.
Fonte: O Tempo