Horas após STJ determinar a soltura de Douglas ‘Mancha’, fundador da facção Tropa do Douglas (TDD) com ligação ao PCC – TJMG decreta nova prisão

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Horas após receber habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o traficante Douglas de Azevedo Carvalho, de 34 anos, conhecido como “Mancha”, que já figurou entre os mais buscados pelas forças de segurança em Minas Gerais, voltou a ser considerado procurado pela Justiça. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decretou a prisão temporária dele por 30 dias em uma investigação sobre um homicídio qualificado.

A decisão foi assinada às 20h44 dessa quinta-feira (2/7), pouco mais de 6 horas após a expedição do alvará de soltura, concedido às 14h25. O mandado já consta como pendente de cumprimento no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).

Douglas havia sido preso em março deste ano, na Bolívia, e levado para a Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá, no Norte de Minas. Nessa quinta-feira, ele recebeu o habeas corpus por parte do ministro Messod Azulay Neto, que determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país. O advogado Fabiano Lopes garante que o cliente não chegou a deixar a unidade prisional.

No mesmo dia, porém, o Tribunal do Júri de Belo Horizonte acolheu pedido do Ministério Público e decretou a prisão temporária de Mancha em um processo que apura homicídio qualificado na capital. Embora a Polícia Civil tenha pedido a prisão preventiva, quando não há prazo para a soltura, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva entendeu que, neste momento da investigação, a prisão temporária é a medida mais adequada e proporcional.

Na decisão, o magistrado afirma que a finalidade da prisão é garantir a realização e a preservação das diligências investigativas ainda pendentes. Segundo ele, a prisão temporária, por ter prazo determinado, atende à necessidade imediata da investigação, enquanto a preventiva possui natureza mais ampla e poderá ser analisada novamente caso surjam novos elementos durante a apuração.

O juiz também destaca que o investigado é suspeito, em tese, de homicídio qualificado praticado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, crime classificado como hediondo. Por esse motivo, fixou a prisão temporária pelo prazo de 30 dias, conforme prevê a legislação.

O novo mandado de prisão está relacionado à investigação do assassinato de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues, morto a tiros em 2018. Segundo a decisão judicial, a Polícia Civil apura a hipótese de que o crime tenha sido motivado pela suspeita de que a vítima estaria colaborando com as autoridades. Familiares da vítima informaram que “Mancha” e outro homem apelidado de “Grilo” frequentavam a oficina onde Paulo Roberto trabalhava e integrariam o grupo suspeito do homicídio.

A decisão também aponta que, cerca de um mês antes do assassinato, homens armados foram até a oficina procurando especificamente pela vítima, em uma suposta primeira tentativa de execução. De acordo com a investigação, Douglas “Mancha” foi abordado, dias após o crime, dirigindo um Toyota Corolla com características semelhantes ao veículo usado pelos criminosos.
 
Além disso, documentos apresentados pela Polícia Civil indicam que Mancha e Grilo já haviam sido flagrados circulando juntos em um carro ligado à vítima meses antes do homicídio, circunstâncias consideradas pela Justiça como indícios da participação do investigado no caso.

A decisão da noite dessa quinta-feira ainda determina a expedição imediata do mandado de prisão e o cadastramento de Douglas como investigado no processo. O documento foi assinado eletronicamente às 20h44, e o mandado foi expedido às 20h49. Apesar de Douglas não ter deixado o presídio de Francisco Sá, conforme o advogado, a nova ordem de prisão consta como pendente de cumprimento no BNMP, tornando o traficante novamente procurado pela Justiça.

Procurada, a defesa de Mancha disse não ter ciência do novo mandado de prisão. A reportagem procurou a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e aguarda resposta.

Quem é Douglas Mancha?

Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como fundador da facção Tropa do Douglas (TDD), grupo com atuação no tráfico interestadual e internacional de drogas e que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Douglas começou a trajetória criminosa em roubos de carga e passou a atuar no tráfico de drogas. Em 2022, segundo a Polícia Civil, uma investigação o apontou como responsável pelo envio de mais de 300 quilos de cocaína escondidos em uma carga de açaí com destino a Portugal.

Em 2023, ele chegou a ser preso em Mateus Leme, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas posteriormente obteve autorização para cumprir prisão domiciliar. No ano seguinte, durante uma operação da Polícia Civil em Capitólio, Sul de Minas, investigadores encontraram apenas a tornozeleira eletrônica do suspeito presa a um macaco de pelúcia, indicando que ele havia fugido do monitoramento.

Fonte: O Tempo