Além dos humanos, pets de BH também podem ter velórios de luxo
Falar sobre a morte ainda é um tabu para parte dos brasileiros, mas, enquanto o assunto permanece cercado de estigmas, um mercado inteiro tem crescido justamente ao redor dela. O chamado death care, setor que reúne assistência funerária, planos preventivos, cremações e serviços de memorialização, passa por uma transformação impulsionada pela busca por despedidas mais personalizadas, emocionais e conectadas às histórias de vida de quem partiu. Em Belo Horizonte, as opções de cerimônias são variadas e, hoje, já não se restringem aos humanos, incluindo despedidas luxuosas também para cães, gatos e outros pets.
Com muitos animaizinhos sendo considerados cada vez mais parte da família, no momento do luto uma parte dos tutores acaba optando por cerimônias mais elaboradas, com a criação de joias afetivas e outros produtos capazes de preservar, de forma simbólica, a lembrança dos companheiros de quatro patas.
Em Belo Horizonte, uma das empresas que identificou essa mudança foi a Metropax, especializada em assistência funerária, serviços cemiteriais e planos funerários. Presente no mercado há mais de 50 anos, a empresa ampliou sua atuação em 2024 com a criação da Metropet, iniciativa voltada exclusivamente para a despedida de animais de estimação.
Segundo Daniel Pereirinha, diretor de operações da Metropet, o serviço representa um dos investimentos mais recentes da empresa voltados ao acolhimento das chamadas famílias multiespécie e à valorização da memória dos animais. “A Metropet nasceu da experiência da Metropax no desenvolvimento de soluções de acolhimento e personalização de homenagens. Hoje, tanto para pets quanto para pessoas, oferecemos diferentes formatos de despedida que buscam refletir a história e os vínculos construídos ao longo da vida”, afirma.
As cerimônias são realizadas no bairro Santa Efigênia, região Centro-Sul da capital mineira, e recebem famílias que buscam um espaço especializado para homenagear seus animais com carinho, respeito e dignidade. O serviço atende diferentes espécies de animais, incluindo cães, gatos, aves, coelhos, roedores e outros animais de pequeno porte, oferecendo opções de despedida adaptadas às necessidades de cada família. Ainda segundo o diretor de operações da Metropet, atualmente, cerca de 30% das famílias atendidas pela empresa optam por algum formato de cerimônia, presencial ou online. “Isso demonstra a relevância que esse momento tem assumido no processo de luto”, completa.
Os serviços mais básicos custam a partir de R$29 mensais até R$800 com a cobertura de até três animais, mas as homenagens mais elaboradas podem alcançar valores maiores.

Limousine pet, chuva de pétalas ou joias
Os tutores encontram na Metropet um espaço dedicado exclusivamente à despedida de seus animaizinhos de estimação. As homenagens podem incluir exibição de fotos e vídeos, músicas escolhidas pelos tutores, chuva de pétalas e cerimônias conduzidas por celebrantes. Além, disso, também é possível fazer a transmissão ao vivo para os familiares distantes e, até mesmo, o transporte de seu pet até o local da cerimônia em uma “limousine pet”.
Outra opção disponível para os tutores é a possibilidade de transformar os pelos ou as cinzas dos animais em joias afetivas, eternizando-o em pingentes, relicários e biodiamantes.
Já para os humanos, atualmente, além do tradicional velório, famílias podem contratar capelas imersivas com projeções em 360 graus, cerimônias temáticas, transmissões online para parentes distantes, vídeos produzidos com inteligência artificial e, assim como no caso dos pets, é possível fazer joias a partir de mechas de cabelo ou cinzas e biodiamantes, transformando parte dos restos mortais em uma pedra preciosa.

Desde o Egito Antigo
Embora o mercado apresente novidades cada vez mais sofisticadas, a necessidade de homenagear os mortos está longe de ser recente e, segundo Daniel Freitas, psicólogo, pós-graduado em Neurociências e Comportamento, estes rituais de despedida são fundamentais na elaboração do luto. “Todas as culturas desenvolveram rituais de luto justamente para organizar o conteúdo mental e dar tempo para que o sistema nervoso se adapte à ausência de uma parte importante de nós”, explica.
Conforme o especialista, a morte de alguém ou animal querido é interpretada pelo cérebro quase como uma ameaça à própria segurança, o que ajuda a explicar a importância histórica dos velórios. “A depender do nível de vínculo entre o tutor e o pet, esse tipo de despedida é muito positivo. Sem falar que existem registros de gatos sendo enterrados junto aos seus tutores no Egito Antigo, milênios antes de Cristo, o que mostra que essa necessidade humana é ancestral”, observa o psicólogo.
Para sindicato, mudança foi de mercado
O crescimento da procura por despedidas personalizadas não é um fenômeno isolado para os pets. Segundo representantes do setor funerário, a demanda faz parte de uma mudança mais ampla na forma como brasileiros lidam com o luto.
De acordo com o Sindicato das Empresas Funerárias de Prestação de Serviços do Estado de Minas Gerais (Sindinef-MG), a procura por cerimônias e produtos personalizados cresceu nos últimos anos. “As famílias têm buscado homenagens que reflitam a história, os valores e a personalidade de quem partiu, transformando a despedida em um momento mais afetivo”, afirmou. Entre as demandas que vêm ganhando espaço também estão as transmissões online de velórios e cerimônias, permitindo a despedida mesmo à distância.
No Brasil, o setor movimenta cerca de R$ 13 bilhões ao ano, conforme pesquisa feita pela Zurik Advisors, a pedido do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep).
Fonte: O Tempo