“Mulheres Trans precisam entender que possuem próstata” -, diz Laerte Coutinho sobre seu diagnóstico de câncer de próstata

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Diagnosticada com câncer de próstata aos 72 anos, a cartunista Laerte Coutinho trouxe à tona a discussão sobre o câncer de próstata em mulheres trans e as barreiras enfrentadas por pessoas LGBTQIAPN+ no acesso à saúde.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Laerte afirmou: “Sou uma mulher trans, mas eu tenho uma parte minha que é masculina. Carrego uma cultura masculina. E essa cultura masculina diz que homens não precisam ir ao médico”.

Ela contou que não fez o acompanhamento recomendado após uma hiperplasia prostática e que o descuido contribuiu para o diagnóstico tardio.

A presidente regional da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio de Janeiro, Maria Julia Calas, afirma que a população LGBTQIAPN+ é estigmatizada e enfrenta preconceitos em diferentes etapas do atendimento, “desde o segurança da porta até, infelizmente, o profissional da área de saúde, incluindo o médico”.

Como consequência, muitas pessoas LGBTQIAPN+ deixam de buscar serviços de saúde, evitam exames preventivos e acabam recebendo diagnósticos tardios, mesmo quando não se trata de consultas relacionadas às genitálias.

No caso das mulheres trans, o risco de câncer de próstata permanece, mesmo entre aquelas que fazem terapia hormonal para inibir a testosterona. O risco pode variar conforme o momento em que o bloqueio hormonal começou e a resposta individual ao tratamento.

“Embora a inibição reduza o estímulo sobre a próstata, ela não elimina o risco. Mas o PSA [exame de sangue usado para detectar alterações] não é tão eficiente nas mulheres trans, porque, com a inibição hormonal, os valores tendem a ser mais baixos”, explica Calas.

“A próstata também costuma diminuir, então o exame de toque não é padrão”, complementa.

Entrevista concedida à CBN